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PASSAGEM DE NÍVEL

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Imagem processada pelo ChatGPT * PASSAGEM DE NÍVEL * A menina de vestido azul Avança dois passos à minha frente. O horizonte termina na linha do comboio Que descortino subitamente A luz vermelha acende no preciso momento Em que a menina de azul Pisa o primeiro carril Grito, aceno, alerto, Mas ela não me ouve O comboio passa e a menina permanece Apesar dele, dos acenos e dos gritos... Apesar da luz vermelha Sou eu quem não está lá, Naquela inexistente passagem de nível Onde termina a linha de horizonte Do meu sonho * ©Maria João Brito de Sousa 1997  

ESCOVO

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  ESCOVO * Que hei-de fazer de mim? Venho de um qualquer mundo que não consta No Mapa Astral da consagrada inspiração e cobre-me um pó de sonhos que tento mas não consigo escovar eficazmente.  * Talvez  defeito da escova que engendrei, à falta de melhor, a partir de umas sobras de ansiedade que encontrei por aí flutuando quais limos de um mar desconhecido, e amarrei a um cabo de incertezas que haviam perdido o prazo de validade.  * Mas que me importa a eficácia do artefacto se nem sequer vislumbro a origem da poalha que me cobre? *   E escovo, escovo, escovo, escovo… * ©Maria João Brito de Sousa    05.03.2011 – 16.20h

METADE DE TI

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  Fotografia de Carlos Ricardo *  METADE DE TI * Olha-me! Reconheces-me ainda Na maçã de todas as noites de desejo? Reconheces-me agora No nardo puro que derramei no teu cansaço? Reconhecer-me-ás depois Quando o teu filho te souber olhar nos olhos? *   Olha-me! Repara que continuo serena e imutável, Vê como oscilo entre a verticalidade Da minha fé e a horizontal do teu desassossego… Repara em mim! Repara em mim que sempre estive à tua espera No desconforto do parto, na saudade da partida, Na urgência dos sentidos e na solidão da viuvez  * Repara! Nos sulcos que as lágrimas me lavraram na face, No ventre sempre em flor que te dei na Primavera, No seio que te ofereci quando menino e homem, Nas mãos que, dia a dia, te amassaram o pão *   Repara, Repara em mim! Filha, companheira, irmã e mãe… Eu sou a metade de ti que desconheces! *   ​ ©Maria João Brito de Sousa 2009  

A ÚLTIMA ESTRELA

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     Tela de minha autoria A ÚLTIMA ESTRELA * Um anjo, de negro, Recolhia do céu As últimas estrelas da noite Para que o Sol Nascesse claro e glorioso *   Uma mulher, de branco, Recolhia, de uma qualquer janela, O seu direito de prolongar a noite *   O Anjo olhou a Mulher, Pequena estrela baça Teimando em ser estrela Para além da noite E se anjos são anjos, São homens com asas Sofrendo das mesmas vãs contradições *   O homem com asas Não fez por maldade, Fez por tradição: Não se rouba ao sol A glória do brilho Nem se guarda a noite Por trás da janela, Que até ente os anjos Impera o conceito Do que é preconceito... *   Tocou-lhe ao de leve, Tão de levezinho Que mal lhe tocou E a mulher caiu,                                                      Caiu, mas subiu No segundo certo,             ...

(RE)NOVOS LUSITANOS

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Imagem gerada pelo ChatGPT (RE)NOVOS LUSITANOS * Tentei erguer um império Nos abraços de um mortal E ousei escrever epopeias Na barra de um avental * Assim nasceu um mistério Ainda por desvendar: Estando em terra, em cativeiro, Julgava-me em pleno mar... * Então desfraldei as velas Do meu estranho imaginário E transformei uma cela Num galeão de corsário * Hoje heroica lusitana Dos tempos que vão correndo, Navego na minha cama Sobre os sonhos vou tendo! *   Mª João Brito de Sousa 2002 *** In Arquétipos de Uma Mulher Interrompida Inédito ***  

LEILÃO

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Eu, 1971 Fotografia de Abel Simões * LEILÃO * Pus a alma à venda Por uma noite de sono Um remendo  Do tamanho exacto da camada de ozono E a felicidade  Do pequeno rebanho  Que tenho de guardar * Ninguém ma quis comprar E eu Teimosa Lancei-a a leilão Num bairro de sucateiros Onde alguém ma comprou Por três dinheiros * Tive de ceder Que palavra é palavra E eu sempre fui leal... Só não entendo Por que é que ainda sonho com Morfeu Tento engendrar o tal remendo astral E sofro a cada dor de quem de mim nasceu. * ©Maria João Brito de Sousa 1991 In Arquétipos de Uma Mulher Interrompida Inédito ***

POEMA DISSILÁBICO

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Eu Fotografia de António pedro Brito de Sousa * POEMA DISSILÁBICO * Nasceu Chorou Sorriu Cresceu E viu Que fora Mais um Apenas Mais um E tanto Contudo! * Importa Agora O sonho Que traz Consigo E tudo Aquilo Que dele Emane * Viver Também É isto. * Mª João Brito de Sousa 06.10.2022 - 13.00h ***