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A mostrar mensagens de janeiro, 2011

CADA ÁTOMO DE MIM

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CADA ÁTOMO DE MIM * Cada tábua que piso Nesta toca, Cada silêncio Que reconquistei, Cada parede À beira do abismo Destas mãos na loucura de voar, Cada lágrima Em mim jamais chorada Que irrompe num verso interrompido, Cada átomo de mim Neste pulsar cá dentro, É para mim. O resto é teu! *     Maria João Brito de Sousa– 29.01.2011 – 22.33h  

SEM TÍTULO

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  Bebeu da fonte de outro medo Esse menino Que uma outra mãe Pariu e embalou Na teia azul (metálico segredo) * Vive por um fio, Por um fio mataria; * Toque-se o fio, Vislumbre-se o segredo E a teia azul transmuta-se em casulo *   Assustado, confuso, Cronos passa por ele sem o notar, Tagarelam os anjos noutro altar E nem o inimigo o apontaria a dedo *   Bebeu, colado à teia, Bebeu do fio Da fonte de outro medo *   Maria joão Brito de Sousa - 1999

GUARDAR AS LUAS

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GUARDAR AS LUAS * Todos os dias as mãos se lhe enchiam de luas e pães comprados no café da esquina. * Eles, os pães, porque as luas lhe nasciam das asas dos pássaros quando se demoravam sobre as reflexões e dos olhos dos que se cansavam de a entender *   Eram luas e pães multiplicados por somas de ausências, mas eram e ninguém negaria a concretude da sua inexistência. *   Maria João Brito de Sousa - 07.01.2011 - 16.25h  

HOJE NÃO É PARA TI

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HOJE NÃO É PARA TI * Não, Não é para ti Que teço estas vogais e consoantes Nos intervalos da respiração das sílabas, Nem para ti são Os silêncios compassados E os ditongos musicais. * Nunca para ti Que perscrutas a mole humana Com a vontade gélida Das ferramentas de laboratório, Com os ouvidos infalíveis do diapasão, Com os olhos vítreos do microscópio * Hoje escrevo para os que virão, Para os que todos adivinhamos Mas não podemos dissecar Porque se conjugam num tempo Que está por nascer. * Hoje não trago palavras; Só a certeza De que a preocupação Com os adjectivos, Se excessiva, Conduz à pobreza do que é kitsch *     Maria João Brito de Sousa -04.01.2011 -23.11h