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A mostrar mensagens de maio, 2010

CANTIGA DE AMIGO DO SÉC. XXI

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  Amigo, eu não sei que espantos, que mágoas, que encantos moldaram quem sou…   que arestas de tão fundas rugas traçaram as fugas do que me restou   só sei que tenho a certeza de ser vela acesa que o vento da vida, soprando, soprando,   soprando… fez tremeluzir e tento sorrir, porque quero dormir, Apagar-me sonhando   Amigo, a minha cantiga de Amigo é antiga, tem anos sem fim de dores e deleites, e se tão mal te conheço, não espero nem peço Que entendas, que aceites   mas canto, aprendo e entendo que, apesar de tudo, se nela me iludo, se a teço em veludo é por querê-la tanto…   Amigo, eu não sei que espantos, que mágoas, que encantos, cantando te dou…         Maria João Brito de Sousa – 29.05.2010

A INVENÇÃO DOS ÓCIOS

Os ócios, Se os tivesse, Pintá-los-ia do amarelo da manteiga E derretê-los-ia, Lentamente, Entre a língua da caneta E o palato do papel   Depois, Se os tivesse, repito, Trabalhá-los-ia à exaustão das horas   Não sei como, Então, Lhes chamaria, Mas sei que o amarelo se decomporia Numa remota hipótese de verde Que não o do trevo  E muito menos o da esperança.     Maria João Brito de Sousa - 18.05.2010