Mensagens

A mostrar mensagens de dezembro, 2010

JUÍZOS

Imagem
  Quando as mil gotas de água da clepsidra transmutadas em Tempo nos julgarem no tribunal de um escólio já expurgado virão, dos muitos olhos que nos lerem, juízos mais ou menos razoáveis que esse distanciamento proporciona   Nesse entretanto, alguns nada verão e os outros... mil imagens desfocadas por espelhos reflectindo o que contêm     Maria João Brito de Sousa – 15.12.2010 – 00.49h

(SOBRE)VIVENTES

Imagem
    Nunca as conheceram, Às flores de água estagnada Nas pedrinhas De um passeio imprevisto Ainda à vossa espera? No tempo em que os poetas Eram feitos de papel E os anjos se vestiam de farrapos Mais ou menos coloridos, Havia poças de água Na fúria de uma sobrevivência Tão menos visível quanto fascinante Cresci a olhá-las Para além da sua visibilidade, Aprendi a sondá-las E a reconhecer-lhes uma vontade Que sempre ultrapassará A minha, A vossa, A do próprio amor… Nesse tempo Do papel, Dos farrapos, Dos poemas curtinhos E das tranças com laços, Fundiam-se perfeitamente Elas, As flores de águas paradas E eles, Os meus olhos libertos como dantes   Maria João Brito de Sousa – 07.12.2010 -19.17h   Imagem retirada da internet      

SEJA EM QUE UNIVERSO FOR!

Imagem
    Aqui estou, completamente desdobrada entre o meu eu do primeiro instante e o meu eu do último segundo, no momento exacto em que acabo de riscar o que foi escrito e começo a desenhar a primeira letra do que está por escrever Isso sou, não mais e nunca menos, exceptuando o pequeno intervalo entre ser e não ser em que fui tão além sem que pudesse escrevê-lo porque escrever não fez, nem poderia ter feito, o menor sentido Irei, enquanto se me não cumpre esta distância entre antes e depois e nada mais peço senão ser gato-com-ou-sem-botas, bicho-alado-sem-asas ou fruto perfeitamente cristalizado no mesmíssimo ponto em que qualquer árvore É antes de lhe apodrecer a raiz e depois de a Vontade a ter tocado, seja em que universo for! Maria João Brito de Sousa – 01.12.2010 – 00.19h