NÃO TE JURO, PAI...
NÃO TE JURO, PAI... * Não to jurarei pai - já por cá não estás, já te não lembras - mas acredito que as mãos as tuas mãos voavam tanto como os seres alados que era delas que as histórias fluíam e que era através delas que me falavas quando te ouvia inteira como ouvem as flores. os gatos e as figurinhas de porcelana com que mãe decorava as estantes dos teus livros * Que espécie de alquimia me transformava assim já to não sei dizer e repito não to juro! talvez a memória brinque comigo ou os anos me pesem mesmo quando me não doem assim tanto mas quase. quase te garantiria - pudesses tu ouvir-me - que era inteira como estátua que ousasse um coração que ouvia as tuas mãos as tuas mãos eternas que nunca se calavam * Qualquer dia, não mais evocarei a voz das tuas mãos longas. longas. sobre as páginas dos livros moldando palavras. fazendo desabrochar imagens que só completa poderia ouvir * Por isso pai contradizendo-me tão inteiramente como então assumo as tais saudades que nunc...