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A mostrar mensagens de março, 2012

NÃO TE JURO, PAI...

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   NÃO TE JURO, PAI... *   Não to jurarei pai - já por cá não estás, já te não lembras - mas acredito que as  mãos as tuas mãos voavam tanto como os seres alados que era delas que as histórias fluíam e que era através delas que me falavas quando te ouvia inteira como ouvem as flores. os gatos e as figurinhas de porcelana com que mãe decorava as estantes dos teus livros  * Que espécie de alquimia me transformava assim  já to não sei dizer e repito não to juro! talvez a memória brinque comigo ou os anos me pesem mesmo quando me não doem assim tanto mas quase. quase te garantiria - pudesses tu ouvir-me - que era inteira como estátua que ousasse um coração que ouvia as tuas mãos as tuas mãos eternas que nunca se calavam *  Qualquer dia, não mais evocarei a voz das tuas mãos longas. longas. sobre as páginas dos livros moldando palavras. fazendo desabrochar imagens que só completa poderia ouvir *  Por isso pai contradizendo-me tão inteiramente como então assumo as tais saudades que nunc...