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FIGURA DE PROA (poema descritivo de um sonho real)

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FIGURINHA DE PROA   Pinta-se o céu de negras aguarelas Rasgam-no De alto a baixo Centelhas amarelas E grita irada A voz de algum trovão   Na praia choram As mulheres dos pescadores E Sou No sonho A figura de proa Da barca de insuspeitos pecadores     Eu Que tenho medo Dos líquidos abismos E da dureza impenetrável dos rochedos A condenar-me a morrer de mil medos Num negro mar que me desconhecia     E Do fundo do mar Um deus rugia: - Por mim não passarás impunemente! Ergo a voz Numa voz que lhe pedia: - Salve-se, ao menos, a tripulação! Reboa a  gargalhada em que o deus respondia:   - Quem és insignificante criatura Que pedes por vidas que não são a tua?   - Sou quem da barca se fez capitão, E por amor de quem nela labuta Tomo-lhe o  leme nesta minha mão!     Neptuno troça Mas abranda a fúria Vulcano cala as vozes do trovão E a Barca balança docemente Como se o universo inteiro De repente, Se comovesse com tal devoção     Maria João Brito de Sousa - 1993 (?) * Nota - Poema reformulado a ...

EXECUÇÃO

  EXECUÇÃO * Naquele instante As rosas multiplicaram-se Em negros abraços E os trinta e três Melros-azuis Que moravam No jardim da guerra pontual Desdobraram-se em trinados Que soavam, Ao longe, Como o assobio Das balas perdidas no muro A que ela, De olhos (des)vendados, Apoiara o corpo (ainda) vertical. *     Maria João Brito de Sousa - 2008