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PEQUENOS LUXOS

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PEQUENOS LUXOS * Nenhum medo, conquanto todas as formas de o negar viessem bater-lhe à porta naquele dia pintado de fresco... * Era o pormenor rústico da inesperada lata de grão-de-bico que (por mero acaso) encontrara na despensa em desalinho (e) ainda o requintado rancho-fingido que efectivamente fingira cozinhar sobre a única boca do fogão desmantelado (e) era a gata, bêbeda de sol, espreguiçada nas lonjuras da marquise, longe  do desconsolado consolo dos livros cobertos de pó (e ) as paredes desbotadas que sempre a haviam vestido como uma segunda pele * O galope ritmado, imparável, do decassílabo heróico, esse um dia  voltará *   Não sabe quando mas sabe que um dia retornará grávido de som pujante, indomável a galgar as planícies de oiro do poema * Não baterá à porta nem se fará anunciar porque jamais um galope selvagem  poderia fazer-se anunciar (pequenos luxos de poeta. Enfim...) * Maria João Brito de Sousa   22.11.2016 - 18.56h