PERCURSO
Capa do segundo livro de António de Sousa, meu avô Litografia de Eduardo Malta PERCURSO * Venho de um mar mais distante Do que as águas primitivas Sou a memória do tempo Que eoa nas catedrais Das grutas intemporais E das fusões permissivas... Vivi mil milhões de vidas Morri outras tantas mortes: De tanto deitar as sortes Cresceram-me asas por dentro Que, por fora, sou segredo Sou Anjo cristalizado Na liquidez do futuro (antes que ele seja passado) * Às vezes sou azarado E outras tantas tenho sorte: Sou, Do nascimento à morte, Do perdido, o encontrado. * Maria João Brito de Sousa (2008) .