POST SCRIPTUM
POST SCRIPTUM * Poderia, claro que poderia conceder-me, de quando em quando, a textura suavíssima da seda, o rebuscado colorido da cauda do pavão, o verso liquefeito nos preciosíssimos licores que nunca chegam aos lábios de quem moireja a terra onde o chão pouco mais oferece do que a haste sequiosa da altiva torga * Poderia, poderia sim, procurar na gratificação pessoal a doçura anestésica do ópio, o requinte da fragância mais rara, o aplauso ocasional e gratuito, o beijo fácil da simpatia caritativa, o brilho do néon que ofusca a borboleta e invariavelmente queima quantas asas germinem nos casulos * Poderia, sei que poderia, adornar-me de pérolas, topázios e diamantes, Mas por que o faria quando um seixo rolado se me afigura infinitamente mais belo? * Post scriptum: Quem me compra este dilúvio de (in)certezas por um punhado de seixos rolados? * Maria João Brito de Sousa - 30.11.2015 17.17h