PRONTO-A-COMER
Quando o dedo do tédio me aponta as entranhas das coisas vazias, esquivo-me ao derradeiro anzol e devoro poesia. Há sempre uma vertigem quando a refeição é um vislumbre de saudade que agarro, tempero mordo e saboreio em gestos competentes, convergindo na degustação das rimas tantas vezes bravas, amargas e ásperas, colhidas nas margens do acaso, sem forma, sem textura, a saltar da previsível marinada da reflexão para a combustão inevitável da mastigação do primeiro texto que me seduza sobre a bandeja da fome imperativa prato-poema …ou rábula de um tédio que nunca assombrará as entranhas vazias de uma saudade-coisa-aprisionada por anzóis que a impedirão de ser provada antes da assimilação do último dos versos Maria João Brito de Sousa – 24.04.2011 – 17.48h Imagem retirada da internet