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A mostrar mensagens de abril, 2011

PRONTO-A-COMER

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  Quando o dedo do tédio me aponta as entranhas das coisas vazias, esquivo-me ao derradeiro anzol e devoro poesia.   Há sempre uma vertigem quando a refeição é um vislumbre de saudade que agarro, tempero mordo e saboreio em gestos competentes, convergindo na degustação das rimas tantas vezes bravas, amargas e ásperas, colhidas nas margens do acaso, sem forma, sem textura, a saltar da previsível marinada da reflexão para a combustão inevitável da mastigação do primeiro texto que  me seduza sobre a bandeja da fome imperativa     prato-poema    …ou  rábula de um tédio que nunca assombrará as entranhas vazias de uma saudade-coisa-aprisionada por anzóis que a impedirão de ser provada antes da assimilação do último dos versos       Maria João Brito de Sousa – 24.04.2011 – 17.48h        Imagem retirada da internet

SEM MEIAS-TINTAS

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  Eram simpáticos, medianamente simpáticos nos seus cumprimentos e nos seus sorrisos mais ou menos artificiais, mais ou menos impostos, mais ou menos convenientes   Ele, a partir desse dia, aborrecera flores, lacinhos, veludos e doirados… aborrecera os meio-doces rebuçados de hortelã-pimenta, as meias-criações, as meias-paixões, as meias-convicções e todas as meias-tintas que perturbassem o canto genuíno do melro, o uivo do lobo absoluto, o rosnido do lince interior   Sequóias! Ainda se lhe dessem sequóias de raiz presa à terra como as vozes dos deuses menores…   Ainda se lhe dessem esses arranha-céus de fibra e floema que aspiram aos longes dos astros mais ou menos longínquos  e lhe renovassem a promessa de ascender com eles…   Mas tudo o que se lhe cumpria eram aqueles meios sorrisos, aqueles rictos e rituais mais ou menos postiços que afirmavam agradar ao Deus sem tamanho a quem atribuíam todas, todas as autoridades,   excepto a de aborrecer as meias-genuinidades                    ...