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A mostrar mensagens de novembro, 2010

CHÃO DE MIM

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  Toco este chão Com olhos de quem beija E sei que não embarcarei Mais vez nenhuma Chão de mim Em mutação constante Que outra força De mim te afastaria? Constantemente o toco Com mãos ocas de um nada Que despejo E depois recolho Cheias de um tanto Que só eu desvendo Por isso sei Que não embarcarei Enquanto as mãos Puderem sentir E pressentir O chão que me deu vida     Maria João Brito de Sousa

A CONQUISTA DA FLOR PELA SEMENTE

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  Lá longe Ecoa, indómito, O meu grito, Fonética estelar Que eu dignifico Num jogo universal que não domino       Eu desafio, Mais do que o razoável E seguro Nas letras a que já perdi a conta Das mil canções que crio e nem procuro       Tudo isto eu devo E nada mais me move Ou me norteia Senão a mesma força que promove A devoção lunar de uma alcateia       E, sobretudo, Sou, Como os demais, Palco e passagem Dos mil ilusionismos geniais De uma vontade só, que é divergente, Qual átomo lançado na voragem Da conquista da flor pela semente!   Maria João Brito de Sousa                 Ao lobo que mora em cada um de nós   Maria João Brito de Sousa – 14.11.2010 – 18.19h

PORTO POSSÍVEL

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  Sou porto incerto, Apelo que subverte e que redime O que em vós dorme agora e que é sublime, Tudo o que esteja longe De estar perto   Sou a vontade, Sou aquilo que resta aos vossos sonhos Quando os dias parecem tão medonhos Que só podeis sonhar Com liberdade     Recuso tudo A não ser a certeza da recusa, Subverto mesmo a cor da vossa musa, Transformo até o som do vosso canto Num grito mudo     Sou como a fome Que em crescendo vos torna insatisfeitos, A voz que vos sussurra os mil direitos Que mais tarde imporeis A quem vos dome     Eu, intangível, Liberto das vogais, das consoantes, Primitivo, indomável como dantes, Sou sede que se nega e depois grita:   -Eu sou possível!             Maria João Brito de Sousa – 14.11.2010 – 20.13h