HORAS ANTIGAS
Sobravam-lhe as horas Noprolongamento do reflexo Em indesmentível declínio. Ali, onde os espelhos Nasciam dos vidros das montras E das poças de água nas calçadas Descalças de sonhos, Sobravam-lhe luas e amantes Nos ambíguos desamores De cada fim de tarde. Amanhã seria tempo De sobrarem mais rugas de expressão Na expressão de todas as horas. Maria João Brito de Sousa - Julho, 2009