PERCURSO
PERCURSO * Nasci num mar tão distante Quanto as águas primitivas; * Vim presa ao lastro do tempo Que ecoa nas catedrais Das grutas intemporais Onde cresci no fermento Das fusões mais permissivas * Vivi mil milhões de vidas, Morri de outras tantas mortes; De tanto ir deitando as sortes Às coisas nunca vividas, Cresceram-me asas por dentro Que, Por fora, Sou segredo, Sou anjo cristalizado Na vertigem do futuro (antes que ele seja passado…) * Por Um lado, Digo tudo, Por outro, Não mostro nada (tenho a razão condenada por versos com que me iludo…) * Se, Por vezes, Azarado, De outras tantas, Tenho sorte Pois, Do nascimento à morte, Só me perdi quando achado. * Maria João Brito de Sousa – 2005 ou 06 Nota - Poema ligeiramente modificado a 02.07.2014 Imagem retirada do Google - Líquen