ONDE MAIS NOS DÓI
ONDE MAIS NOS DÓI * Onde mais nos dói é na ferida aberta pelo momento em que a ceia, travestida de doçura, se nos derrama em gelo sobre a pele nua e os olhos da lucidez se nos estendem até ao inesperado veneno de um cálice que ousámos afastar * Alguns de nós terão sobrevivido e permanecido ainda que domesticados, comprados, vendidos, usados, castrados, programados, manipulados… mas gratos, na montra (in)comum da exposição banal, conveniente e pateticamente gratos! * Porque nem tudo o que luz é ouro e nem tudo o que se trinca é digerível, muitos terão morrido, tantos terão lutado e, um dia, todos teremos conquistado o direito a recusar a exibição de um estatuto gravado a fogo sobre a carne viva da sobrevivência. * Maria João Brito de Sousa – 01.11.2013 – 18.40h