NÃO VÁ SER TARDE...
NÃO VÁ SER TARDE... * Queixo-me destas mãos que se me colam às folhas de papel dos dias neutros * Quantos dias, porém, me serão neutros se as folhas de papel se me colarem às mãos? * Subo ao telhado da nova contradição vestindo as penas descoradas de um segredo e rio-me dos fios de prata que correm nas caleiras de um medo que não conheço * Depois torno a queixar-me das mãos neutras coladas ao papel dos dias, dou um salto em forma de metáfora e pouso suavemente na superfície desta enchente de mim * Relembro as fábulas que os deuses me contavam no tempo em que o homem dominava a terra e as cidades cresciam como cogumelos * Encosto-me então à improvável solidão dos anjos não vá, de repente, ser tarde demais para ressuscitar. * Mª João Brito de Sousa 26.04.2010 ***