PARA QUE CONSTE
Para que conste; Eu tenho veias, carne E sonhos como os vossos Mas jamais escreverei Sobre estrelas Que não tenha conhecido desde sempre Um longo esteio de velas desfraldadas Nos murmúrios de um imaginário-racional Precede o olhar com que contemplo o mundo Para vo-lo devolver um pouco menos mau Não aceito, Para que conste, Que um único de vós me acuse de um ócio Engendrado por mentes saciadas [muito embora inconscientes da sua futilidade] Para que conste, Produzo Tanto ou mais Do que as mãos de outro qualquer E consumo Invariavelmente menos Do que o corpo ou a mente Da maioria de vós Para que conste, Por vezes as tardes doem-me Como folhas de Outono No mármore do tempo Mas nenhum medo me conquista o estro Enquanto acreditar [PARA QUE CONSTE] Maria João Brito de Sousa – 23.10.2010 – 23.14h Na fotografia - Eu, ao colo da Aurorinha.