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A mostrar mensagens de setembro, 2012

BRADO

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Cresce puríssimo, forte, ininterrupto, claríssimo nas mãos imaculadas pelo uso (porque apenas o uso lhes confere a transparência das grandes, invencíveis compulsões) * Sábio, porque justo, floresce, rompendo o húmus das palavras ao dar-lhes o sentido de todos os sentidos na lucidez dos que vivem paixões indomáveis * De todos nós, porque se sobrepõe a cada uma das nossas vontades, se multiplica nas veias da terra e se mistura à lava dos vulcões que vamos sendo, não será detido nos becos do receio, nem ave nenhuma voará mais alto do que esse eco que o vento, zunindo, transporta consigo desde o mais profundo da nossa justíssima revolta * Límpidas, crescem as sílabas que se desnudarão na invencibilidade do nosso brado! *   Maria João Brito de Sousa - 27.09.2012 - 01.53

NASCE, POESIA!

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NASCE, POESIA! *   Porque o que és me não cabe nas mãos fechadas, escorrem-me, por entre os dedos, estas sobras do que recuso transformar em gesto de troca, artigo de compra e venda, vaidade, embriaguez, culto ou ritual   e  que és tu, Poesia. * Divinizam-te alguns o corpo que não tens no altar que insistes em não ser mas eu sei-te no cerne de todas as coisas escorrendo inevitavelmente de todos os poros, por todas as frestas, limpa, lúcida, viva, (in)explicada…  * Cantas ainda onde a esperança desistiu de viver ressoas no vácuo, apesar de inaudível, desdobras-te em invisibilidades e vislumbres e acendes-te, sublime, no arrepio de cada escuridão *     Inútil ou não Nasce, Poesia! *     Maria João Brito de Sousa – 11.09.2012 -01.53h    

METÁFORA - O Manifesto

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  METÁFORA (Manifesto) *   Eu digo-te que o sol floresce limpo sobre o estrume das aparências e que as palavras são casas nas cidades da voz  * Digo-te que as ruas são mãos a (re)pousar, que as estátuas de pedra são canções e que as canções são luas, de tão brancas…  * Dir-te-ei, vez por outra, que as plantas são mulheres e homens cansados da colheita improvável, que os dias – todos eles – são movimento, que as noites são o esconderijo dos sonhos à espera de acordar e que os muros são pontes entre agora e depois  * Falar-te-ei de passos sem distância, de espaços sem medida, de memórias sem tempo e de gente sem medo de morrer, mas jamais me ouvirás falar de renúncia enquanto o murmúrio me for permitido na cidade da voz libertada *   Também a metáfora se come, se bebe e não sabe render-se enquanto viva *       Maria João Brito de Sousa – 03.09.2012 – 18.12h     Imagem retirada do jornal "Avante!" - Guernica, Pablo Picasso