QUE PENA! - Um poema anti-poético e egoísta, para quando fizer falta rosnar
QUE PENA! * Que pena! Tenho tanta pena de ter pena dos olhos de luar que não tiveste, da refeição frugal que não fizemos no tal dia em que nos não encontrámos * Dessas mãos de sal que te não vi, sublimando a saudade em gestação, subiria – talvez…- o aceno prometido ou nem sequer esboçado, à força de tardio * Nos teus lábios que nunca experimentei - porque não eram lábios os riscos trémulos e desbotados que jamais desenhámos sobre a suspeição do beijo…- um sorriso clonado de todos os esgares que lhe foram anteriores * Que pena das horas que não passámos juntos nessas manhãs, essas que nos encerram na urgência banal e rotineira - tão desmesuradamente banal e rotineira! - do desejo insuspeito que adivinho no refrão de cada cantilena e das tardes, - quem sabe? - atarefadas, urbanas, burguesas, passeando entre o plano do fogão de quatro bicos e a perpendicular do mar - desse mar que só pode ser olhado por um de cada vez - aborrecendo o momento seguinte, barulhentas, conflituosas e – ...