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A mostrar mensagens de agosto, 2010

ABUTRES E BEIJA-FLORES

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  Via-os por ali Hilariantes, Patéticos fantasmas de abutres Babando-se de incontida curiosidade Via-os Quando se dava ao trabalho de olhar, Se se dava ao trabalho de olhar Inacreditáveis somatórios De infortúnio e pobreza Muito bem vestidos, Muito míopes, Muito desequilibrados, Muito bêbados Muito opinativos E muito pouco inteligentes Umas vezes Irritavam-no, Noutras Enchiam-no de pena Alguns, Mais puros Do que o bando comum Pousavam devagarinho E ficavam Na imobilidade nervosa Da sua timidez. Pequenos beija-flores Que não chegavam A beijar coisa nenhuma, Raros, Silenciosos, Bem-intencionados E belos Na esmagadora maioria Dos dias Nem sequer os via Muito embora por lá continuassem Simulando Uma indiferença Que só a ele Legitimamente pertencia.   Maria João Brito de Sousa – 29.08.2010 – 01.54hs     IMAGEM - Stuart Carvalhais

AONDE A RAZÃO TE NÃO RESOLVE

Sinto-te Aonde a razão te não resolve E o silêncio te desenrola As infinitas páginas De um tempo universal   Vejo-te Como se não fosses Ou fosses Mas, não sabendo, Te limitasses a estar   Oiço-te Como se a tua essência fosse o som E som Fosse tudo o que tu és   Se te não sentisse, Se te não visse, Se em vez de te ouvir O silêncio Te pintasse de tons invisíveis E a razão te explicasse Se não estivesses mesmo…   De onde me viriam estas minhas palavras?     Maria João Brito de Sousa – 27.08.2010 – 00.14h