Mensagens

A mostrar mensagens de maio, 2012

APESAR DE TUDO...

Imagem
APESAR DE TUDO * … mas  chegaste tarde, apesar de tudo… * - Ele era um mundo inteiro de sorrisos e um imenso atropelo de boas vontades; não se avançava quase nada, não se fluía e este amanhã não era por ali… * - Tivesses dito que não. Ou empurrado alguém… * - Nunca saberia a quem empurrar… nem porquê. A boa vontade estava toda lá, embora insuspeita, difusa, descontextualizada e incolor. * - Como deste, então, por ela? * - Sentia-se, apenas. Era isso. * - Deixasses de a sentir! Terias chegado à hora combinada, terias sido mais conveniente e não me terias feito esperar... * - Ah, não poderia! Nenhum deles teria percebido que esperavas por mim. * Maria João Brito de Sousa – 11.05.2012 – 00.10h NOTA – Não é um poema nem uma prosa poética, como muito bem terão reparado. Apenas uma “liberdade” em discurso directo. Uma liberdade no uso do seu pleno direito de não dizer coisa alguma que sentido faça…

CONTINUAÇÃO

Imagem
CONTINUAÇÃO *   Às tantas faz-se tarde; um deus sobe a pulso a corda da noite fria de um sol que já não arde e morto desafia um qualquer sonho avulso. * Tricota a velha Musa um espasmo breve, como beijo que beije sem beijar,  num roçagar de asas, muito leve sobre a gestualidade algo confusa com que acrescenta a corda e ao tricotar liga ideia e matéria… e mais não deve. * Depois… depois nem um nem outro entendem desistências: um sobe inventando um punho em cada coto e a outra muito além das aparências desdenha esse  (im)provável Deus-dará e (re)descobre a Vida onde a não há. *   Maria João Brito de Sousa – 11.05.2012 – 16.46h

AO MAIO QUE HOJE ME OCUPA

Imagem
Maio, hoje, ocupou as ruas do meu corpo, vestiu-se de vermelho e fez-se voz! * Há uma praça em luta, um direito básico que quase se perdeu, uma conquista a cimentar, uma memória que rasga um nervo… e salta!, um velho-novo mundo, escrito a sangue sobre asfalto que se não quer esquecido, que reivindica, cresce e ressurge da ponta dos meus dedos inquietos, febris * Lá fora, nas ruas onde o frio ainda gela, onde as pedras se fazem sentir duramente sob os pés, onde o vento zune, espalha e semeia as palavras de ordem que os ouvidos captam e os gestos se traçam nas três dimensões do costume, sois vós, camaradas, quem se bate por ele. * Ainda a luta de classes, neste Maio que não quer nem  pode desmentir-se! * Nenhum medo nenhuma hesitação para além do vermelho que me veste de uma urgência que só assim posso manifestar * Se o meu corpo não pode ir às ruas, que venham as ruas ao meu corpo, neste vermelho Maio em risco, neste Maio que tentam roubar-nos, neste Maio a querer fugir-nos depois de co...