O OUTRO LADO DO POEMA
O OUTRO LADO DO POEMA * Foi do outro lado do poema que te falei do tapete puído das metáforas e das mãos crispadas sobre o segredo das horas: tudo isso estava lá e ainda o que nem eu poderia decifrar Foste tu quem o não soube ver… Resmungas? Que culpa tenho eu se a inércia te prendeu aos floreados da capa de papel de seda, à estampa introdutória, à tampa do baú dos insuspeitos suspiros? Que culpa tenho se por aí te ficaste embevecido, cego, enfeitiçado? * Como se a magia da forma desistisse ali mesmo, onde termina a aparência do poema e onde se determina que o poema é aparência * Os poemas, incauto, redefinem os corpos a cada por do sol e saúdam o luar dispersos em mil faces, mil arestas, mil vértices São punhais que às vezes arredondam para não ferir a lua pois só a ela pouparão o impacto perfurante das verdades mais cruas e vorazes * Isso deverias sabê-lo tu, não eu que nada conheço da geometria do desejo para além da elevação do sonho ao cubo de si mesmo e penso vir a morrer...