NESTE DIA...
NESTE DIA * No dia que começa, venho dizer-te bom-dia e redescobrir-te o sorriso na memória das sardinheiras, quase murchas, mas ainda vermelhas nas conchas de barro em que as plantavas, Mãe * Venho, neste dia de memórias, lembrar-te, mais uma vez, que te amo e, agora que não sei se és nem onde és, confessar que sempre te considerei demasiado rendida à superfície das coisas, alheada das raízes do tempo, presa ao lado de cá das janelas de onde brotam os sonhos que transcendem a luta pelo abraço imediato, Mãe Mas isso era eu… eu quando, pequenina como as sardinheiras, enlaçando uma raiz sem tempo, desprezando todas as janelas, me esquecia - também eu e até eu! - de não poder julgar-te porque, afinal, eras tu quem as plantava sorrindo, sem suspeitar, sequer, que pudessem render-se e murchar, Mãe * Hoje, dia da criança, dia em que não sei se és, nem onde és, mas não esqueço que foste, uma lágrima, só uma, como tu, que tanto temias a morte e te deixaste levar antes de teres podi...