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A mostrar mensagens de março, 2011

BREVES PEIXES DE ESCAMA CADUCA

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  Nós, os de olhos reclusos Num infinito demarcado por metas, Breves peixes de escama caduca Na sopa vítrea de um sonho qualquer, Mordendo ilusões de um pomo menor, Pontuamos, tão só, pela diferença De impulsionar as barbatanas Sabendo Que poderíamos escapar Mas que jamais o quereremos fazer sozinhos  * Nos dias roubados às noites de insónia, As coisas sésseis, Que não mexem, Nem deixam de mexer - coisas sonhadas, de motilidade hipotética – Impulsionam-nos mais e mais, A nós, Breves peixes de escama caduca De olhos reclusos num infinito Pré-determinado por um sonho Que sabemos construido Sobre cada uma Das nossas escamas   Maria João Brito de Sousa – 31.03.2011 – 09.53h

SEPARAÇÃO - em quatro andamentos

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1 - Davam-se as mãos    E largavam-nas      Na impaciência de um gesto recorrente   2 - Voltavam a unir-se      Pontualmente     Na urgência de uma chama qualquer     E logo se desuniam    Como se ela os queimasse   3 - Cada vez mais recorrentemente      Se impacientavam      E as mãos desafiavam as leis da Matemática      Multiplicando-se em desuniões      Sem que chama alguma as tivesse unido   4 - Deixaram de unir as mãos      Quando perceberam      Que a chama apagada      Queimava mais ainda      E nenhuma impaciência sugeriu      Que pudesse acender-se de novo  *     Maria João – 05.03.2011 – 16.52h       Imagem retirada da internet  

ESCOVO

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ESCOVO * Que hei-de fazer de mim? Venho de um qualquer mundo que não consta No Mapa Astral da consagrada inspiração e cobre-me um pó de sonhos que tento mas não consigo escovar eficazmente.  * Talvez  defeito da escova que engendrei, à falta de melhor, a partir de umas sobras  de ansiedade que encontrei por aí flutuando quais limos de um mar desconhecido, e amarrei a um cabo de incertezas que haviam perdido o prazo de validade.  * Mas que me importa a eficácia do artefacto se nem sequer vislumbro a origem da poalha que me cobre? *   E escovo, escovo, escovo, escovo… *   Maria João – 05.03.2011 – 16.20h

V.V.G. - Lust of Life

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"LUST OF LIFE" (Vincent) * Bebeu-o um sonho qualquer E, pouco a pouco, Começou a entender A linguagem de todos os silêncios E o  discurso temível do Mistral * Peça a peça, Cada vez menos uno, Indistinguia-se da linha imaginada De cada horizonte Em que houvesse, Pelo menos, Três árvores de folha perene, Um céu manso de porcelana azul, Um girassol E um homem capaz De olhar para dentro de si mesmo * Era, À força de não ser coisa nenhuma, Aquilo que sentia através da cor. *     Maria João Brito de Sousa – 01.03.2011 – 23.25h         Digo Eu; A Arte não se quer uma coisinha suave, alegre e politicamente correcta. A Arte quer-se em vendavais, em erupções da mais genuína criatividade.