PERCURSO


Capa do segundo livro de António de Sousa,
meu avô
Litografia de Eduardo Malta




PERCURSO

*


Venho de um mar mais distante


Do que as águas primitivas


Sou a memória do tempo


Que eoa nas catedrais


Das grutas intemporais


E das fusões permissivas...


 Vivi mil milhões de vidas


Morri outras tantas mortes:


De tanto deitar as sortes


Cresceram-me asas por dentro


 Que, por fora, sou segredo


Sou Anjo cristalizado


Na liquidez do futuro


(antes que ele seja passado)

*


 


Às vezes sou azarado


E outras tantas tenho sorte:


Sou,


Do nascimento à morte,


Do perdido, o encontrado.

*


 

Maria João Brito de Sousa  

 (2008)


.

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