ESCOVO

 


ESCOVO


*


Que hei-de fazer de mim?


Venho de um qualquer mundo


que não consta


No Mapa Astral da consagrada inspiração


e cobre-me um pó de sonhos


que tento


mas não consigo escovar eficazmente.


 *


Talvez  defeito da escova


que engendrei,


à falta de melhor,


a partir de umas sobras de ansiedade


que encontrei por aí


flutuando


quais limos de um mar desconhecido,


e amarrei


a um cabo de incertezas


que haviam perdido o prazo de validade.


 *


Mas que me importa


a eficácia do artefacto


se nem sequer vislumbro


a origem da poalha que me cobre?


*


 


E escovo, escovo, escovo, escovo…


*


©Maria João Brito de Sousa 


 05.03.2011 – 16.20h

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